sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Renascer

Passa a porta, pendurada no braço da sua amiga, com um enorme sorriso: é para esquecer! A batida começa a ganhar sintonia com o seu coração e todo aquele fumo branco, todas aquelas luzes encantantes, levam-na rumo a um lugar diferente, a um lugar onde a vergonha fica para trás e cada passo é apenas uma libertação da sua alma.
Aquela àurea entranha-se em cada poro da sua pele e os movimentos começam a surgir, enérgicos, um após o outro. Sem se preocupar com o que quer que seja, apenas canta, vibra, sente. Os braços nunca sabem o que fazer, mas acabam por tomar um rumo, combinando com tudo o resto. Alguns olham-na, mas não quer saber. É aquele o seu momento e ninguém poderá estragar isso.
Mais uma giratória sobre os seus pés delizantes, mais uma amargura deitada para o lixo. É este o espaço onde se sente viva, onde sabe que não é apenas mais uma, mas sim aquela! Emanando tudo o que quer, não há nada que mais a fascine se não aquela batida onde encontra o seu caminho. Sentido cada som, não há quem consiga parar aquela sua frenética vontade em mandar tudo cá para fora. Que se vão embora todas as ideias más, que fique apenas este sentimento extravassador da energia conseguida.
Recarregar baterias, sendo simplesmente, aliando todos os seus movimentos com rumo à pacificação de uma alma confusa. Sentimento de plenitude, gigante! Mas eis que chega a hora, a hora de ter de ir embora e largar aquela sala, aquele chão escorregadio do suor de mil e um corpos que, de uma maneira ou outra, se libertam, como ela. De novo pendurada no braço da sua amiga sai, olhando para trás. O sorriso diminui. De volta ao mundo!... Abre de novo o seu sorrir e respira fundo. Pensamentos? Certezas? Sabe que conseguiu, que tudo o que a havia feito sentir pesar ali ficou. Agora, o sentimento de leveza é o maior, aquele que a faz querer de novo enfrentar o mundo. Tudo, sempre, apenas para um fim. Ali, somente.
Renascer.

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