A felicidade é como uma trança infinita.
Bocadinho sobre bocadinho, o desenho fica fluído e bonito, como deve ser. Conforme os fios que se unem vão crescendo, mais forte ela fica. Brilhante, única, nossa.
Apertamos-lhe a ponta, com um elástico que dá várias voltas. O tempo deixa que lhe acrescentemos mais entraçados e no final voltamos a apertá-la para que fique sempre firme, com um aspecto de vivacidade incrível.
Mas há sempre o engraçadinho que nos vem puxar o elástico num momento inesperado. Que desmancha um bom bocado da nossa trança e nos faz sentir que perdemos um pouco de nós.
Precisamos de aceitar esse amargo sabor de desilusão. De uma dor crua, causada pela esperança que nos foi arrancada. O sorriso contorce-se e os olhos ficam rasos de água.
Voltar a entrançar o que antes esteve feito não é fácil... os fios passam a ter pontas soltas que nos irritam, que nos frustram e que ameaçam o resto da trança. E passamos a olhar com desconfiança para o audaz que nos arrancou o elástico.
E agora? Como se ganha coragem para pedir que nos voltem a entrançar aquele pedaço feliz? Como se explica que o sentimento pleno que se partilhou ao entrançar foi destruído pelo arrancar de um elástico?
A trança é infinita. Os modos de a entrançar também. Mas os que têm poder de a desmanchar... retiram-lhe o brilho de outrora.
Podes, por favor, ajudar-me a dar força aos fios outra vez?
segunda-feira, 13 de abril de 2015
segunda-feira, 6 de abril de 2015
.A
Não sei se é de ti, da tua cara enigmática.
Não sei se é de mim, da mania de querer saber mais.
Com indiferença procurei conhecer, descobrir e apreender. Entender-te de alguma forma, sem que soubesses da minha vivacidade em perguntar por ti.
A mal ou bem os caminhos foram-se preenchendo, mas nunca ficaram completos. A incapacidade envergonhada trava as intenções verdadeiras de saber o que está para além de um olhar.
E naquele dia vi-o brilhante, diferente. Vi-o sentido de pureza, de um amor diferente que sem saber me explicaste tão bem.
Guardei-o tanto comigo... sabes? O mexer dos teus lábios com as palavras honestas que me dirigiste. A água de uma lágrima que se transformava em sorrisos inocentes e periclitantes.
E pudesse eu devolver-me assim... Recebê-lo-ias com tamanho encanto, mesmo sem saber.
O futuro constrói-se no presente de cada dia e os trilhos continuam a formar-se sem destino certo. Talvez seja manha minha precisar das definições e ter medo do inesperado, mas vou tentar. Vou deixar que a esperança do meu coração não se magoe e possamos chegar a algum lado... ou não. Quem sabe?
Será de ti, da tua cara enigmática... será de mim, da mania impulsiva de querer saber mais. Seja de quem for, que seja o que quisermos que venha a ser.
Mas aqueles minutos, aquele olhar, aquelas palavras e aqueles sorrisos... nada apagará o completo abraço que tivemos.
E nesse dia chegámos ao destino.
Não sei se é de mim, da mania de querer saber mais.
Com indiferença procurei conhecer, descobrir e apreender. Entender-te de alguma forma, sem que soubesses da minha vivacidade em perguntar por ti.
A mal ou bem os caminhos foram-se preenchendo, mas nunca ficaram completos. A incapacidade envergonhada trava as intenções verdadeiras de saber o que está para além de um olhar.
E naquele dia vi-o brilhante, diferente. Vi-o sentido de pureza, de um amor diferente que sem saber me explicaste tão bem.
Guardei-o tanto comigo... sabes? O mexer dos teus lábios com as palavras honestas que me dirigiste. A água de uma lágrima que se transformava em sorrisos inocentes e periclitantes.
E pudesse eu devolver-me assim... Recebê-lo-ias com tamanho encanto, mesmo sem saber.
O futuro constrói-se no presente de cada dia e os trilhos continuam a formar-se sem destino certo. Talvez seja manha minha precisar das definições e ter medo do inesperado, mas vou tentar. Vou deixar que a esperança do meu coração não se magoe e possamos chegar a algum lado... ou não. Quem sabe?
Será de ti, da tua cara enigmática... será de mim, da mania impulsiva de querer saber mais. Seja de quem for, que seja o que quisermos que venha a ser.
Mas aqueles minutos, aquele olhar, aquelas palavras e aqueles sorrisos... nada apagará o completo abraço que tivemos.
E nesse dia chegámos ao destino.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
caminhos
Estou aqui. Estás aí.
Vejo-te, penso-te. Ainda saberás quem sou? Lembrar-te-ás de mim?
É penetrante o teu nome nos caminhos que percorro com o pensamento, como uma pegada que precisa de ser definida para se lhe atribuir um dono. Não sei porque aqui andas, nem sei sequer como encontraste este trilho.
Questiono-me se me verás tu. Se saberás que aqui estou, assim, a percorrer o chão enquanto espero que nos voltemos a encontrar ao dobrar da próxima curva. Estarás lá?
A incógnita que me soltas é um amontoado constante de pontos de interrogação a ganhar vida na minha mente. E eu permaneço aqui. Tu permaneces aí.
Irei mostrar-me forte quando na verdade estarei a desmoronar-me. Não o saberás - não posso ser eu apenas a não saber o que seja.
Eu não sei se me vês, se me pensas. Se sabes que estou aqui, enquanto estás aí. Que me sentes, que te lembras.
Haverá algo para lembrar?
O caminho continua, no infinito daquilo que somos. A marca do teu pé continua disforme e não sei que lhe significado lhe atribuir. Podes decidir-te? Muda de rumo de vez.
Ou então deixa que sejamos, em vez de eu apenas ser e tu apenas seres.
Vejo-te, penso-te. Ainda saberás quem sou? Lembrar-te-ás de mim?
É penetrante o teu nome nos caminhos que percorro com o pensamento, como uma pegada que precisa de ser definida para se lhe atribuir um dono. Não sei porque aqui andas, nem sei sequer como encontraste este trilho.
Questiono-me se me verás tu. Se saberás que aqui estou, assim, a percorrer o chão enquanto espero que nos voltemos a encontrar ao dobrar da próxima curva. Estarás lá?
A incógnita que me soltas é um amontoado constante de pontos de interrogação a ganhar vida na minha mente. E eu permaneço aqui. Tu permaneces aí.
Irei mostrar-me forte quando na verdade estarei a desmoronar-me. Não o saberás - não posso ser eu apenas a não saber o que seja.
Eu não sei se me vês, se me pensas. Se sabes que estou aqui, enquanto estás aí. Que me sentes, que te lembras.
Haverá algo para lembrar?
O caminho continua, no infinito daquilo que somos. A marca do teu pé continua disforme e não sei que lhe significado lhe atribuir. Podes decidir-te? Muda de rumo de vez.
Ou então deixa que sejamos, em vez de eu apenas ser e tu apenas seres.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
barreiras
O que eu gostava?
Era de sentir reciprocidade. O teu esforço. Ou pelo menos a tua compreensão.
Se somos o que somos, porque não podemos ser como deveríamos?
Acho que não estou mal, mas acho que estou mal. A minha postura não é compreendida, a minha tentativa sai frustrada e o que era suposto que fossemos só se afasta a passos largos.
Não que o queiramos, mas porque o provocamos.
E o porquê? O porquê é o que me leva de encontro às pessoas difíceis, indefinidas, tão como eu que em vez de ajudar só desajudam. Frustram, não magoam. Fazem querer superar barreiras insuperáveis. Mas tenta-se, isso sempre. De saltar a barreira sem lhe bater com o pé e a mandar ao chão. De lhe passar por cima com facilidade e leveza, coisa para a qual nunca tive jeito.
Afinal nunca soube ser de outra forma. Se gostava de o ser? Não sei.
Mas gostava de ser como sou. Superando-me.
Ajudas-me de uma vez?
Era de sentir reciprocidade. O teu esforço. Ou pelo menos a tua compreensão.
Se somos o que somos, porque não podemos ser como deveríamos?
Acho que não estou mal, mas acho que estou mal. A minha postura não é compreendida, a minha tentativa sai frustrada e o que era suposto que fossemos só se afasta a passos largos.
Não que o queiramos, mas porque o provocamos.
E o porquê? O porquê é o que me leva de encontro às pessoas difíceis, indefinidas, tão como eu que em vez de ajudar só desajudam. Frustram, não magoam. Fazem querer superar barreiras insuperáveis. Mas tenta-se, isso sempre. De saltar a barreira sem lhe bater com o pé e a mandar ao chão. De lhe passar por cima com facilidade e leveza, coisa para a qual nunca tive jeito.
Afinal nunca soube ser de outra forma. Se gostava de o ser? Não sei.
Mas gostava de ser como sou. Superando-me.
Ajudas-me de uma vez?
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