sexta-feira, 27 de março de 2009

gosto

Odeio-te.
Hoje magoaste.
Essa tua forma fria de falar, esse teu olhar onde tudo é igual a tanto... Ainda não percebeste que sou especial?
Não sou uma flor qualquer. Sou daquelas que pisam, em que escorregam, mas se mantém viva. Pensei que virias para me ajudar a crescer de novo, voltar por inteiro, mas afinal enganei-me, uma vez mais.
Deveria começar a habituar-me a que fosse sempre assim, mas porque é que acredito que há-de vir alguém melhor?... Não percebo porque me deste o bom para me deixares no mau. Mais valia teres pisado logo, de uma vez, em vez de agora ires moendo. Sabes, é que dói mais.
Minuto a minuto o tempo passa e não há quem me dê uma gota de água para eu viver. Não sei onde estás nem sei se quero saber. Esta luta constante é uma perda de tempo.
Hoje deixaste uma marca.
O problema é que, lá no fundo, e em tudo de mim, eu gosto mais de ti do que te odeio.

terça-feira, 24 de março de 2009

passou tudo?

Vinhas lá do fundo e eu fingia não te ver. Pelo canto do olho sabia que chegavas, mas esperava que me chamasses: sempre fui envergonhada demais. Lá me decidi a ir até ti e por entre sorrisos o nosso olhar falava de um encanto comum. Deste-me o teu ar querido e apertaste-me num abraço sincero que me fez tocar o céu. O sentimento de conforto e aconchego falou mais alto que o mundo.
Agora há um espaço vazio. O meu telefone não toca contigo e o arrepio na espinha fugiu. Sem saber porquê, algo mudou. Talvez tenha sido a chuva que foi embora ou até mesmo a vontade...
Mexias-me no cabelo com suavidade e de olhos fechados eu apenas desfrutava. Deitada no teu colo, a brisa trazia-me a paz.
Hoje falta-me o teu toque subtil. Não tenho aquele teu olhar de encanto e pacificidade. Onde foi? Talvez tenha ido viajar ou apenas nunca tenha existido...
Um minuto que fosse, chegava para uma eternidade. Apenas no silêncio, tudo tinha significado. Até quando cantavas somente, eu gostava de te ouvir. Desafinado ou não, nem conseguia reparar nisso. Quieto, de olhos fechados, sempre foste o mais bonito.
Neste momento não consigo saber o que pensar. Aliás, valerá a pena? Parece-me que foste para outro mundo e tudo se desvaneceu: aqueles pózinhos mágicos à nossa volta desapareceram. Não me perguntes o que aconteceu porque não sei. Tu, sabes? Talvez tenhas ido embora ou então nunca vieste...
Procuro o encanto que me tinhas deixado. Agora não sei para onde foi. O brilhozinho nos olhos e o arrepio contente foram embora. Não sei se irão voltar ou até se quererás que voltem. O querer está desgastado. Relembro todos os momentos de cumplicidade e pergunto-me até onde terão ido... Não vou procurá-los de volta. Não sei se farão sentido. Tu, quere-los? Talvez sim, aí num cantinho longíquo de ti. Talvez não, afinal já passou tudo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

life is life

Acordas e a felicidade emana. Chegas ao fim do dia e como se não bastasse o cansaço ainda há aquela ideia pesada na tua cabeça. Porque é que é assim? Não poderia tudo manter-se do início ao fim?
Apetecia-te apenas ver o luar e as estrelas lá fora e descansar, mas há tanto que te atormenta... Aquela ideia que de vez em quando surge e traz o aperto no coração, o ardor na garganta...
A vida não é fácil, é para ser vivida. Quem sabe onde nos levará?

quinta-feira, 19 de março de 2009

an angel

Não acreditava em anjos até encontrar um. Quanto muito haveriam pessoas que nos seguissem de vez em quando, vissem o que andamos a fazer... Quanto muito existiriam aqueles que pensávamos que estavam ali, de vez em quando...
Chegaste. Sem saber como, foste apenas ficando por cá até hoje. Sei que olhas por mim, mas o meu dever é proteger-te. Ainda que transmitas segurança há sempre aquela fraqueza por onde tenho medo que caias. Não te preocupes, estou aqui e não te deixo desistir. Desde o primeiro momento que soube da cumplicidade que seria apenas esta, sem medos, sem dúvidas. A tua presença é certa e se demoras em chegar o arrepio inconstante permanece até que te mostres bem. Não gosto de te ver inquieto, é melhor saber que estás completamente em ti, mais forte que nunca. Não vais cair, estou aqui para te amparar.
Na tua simplicidade mostraste-te um igual - sei que é contigo que posso contar. Basta que por ti chame, estás aqui. Sabes aquela certeza de que não estás sozinho? É isso. Eu não acreditava em anjos, mas agora sim, sei que é verdade. Acho que nem toda a gente pode dizer que tem um, mas eu tenho a sorte de o afirmar a pés juntos: tenho um anjo - que eu guardo, que me guarda. Sem qualquer dúvida disso, sei que és único.
Que seria de mim sem ti?