domingo, 25 de maio de 2008

O Grão de Areia

Foi quando o maior grão de areia dedidiu juntar-se a outro. Mais grãozinhos, mais pequenos que ele, saltavam-lhe para as costas, apanhando boleia. Aos poucos, ele foi ficando cansado, já não conseguia aguentar mais aquele peso, aquela dor sobre si, quando não tinha culpa de que os grãos pequenos se lhe tivessem colado. Às vezes tentava esquecê-los, fingir que não estavam lá, mas sempre que um novo grão subia para aquele monte a dor voltava. Ele revoltava-se, ainda que pouco depois tudo fosse o mesmo de novo.
Acumulou uma quantidade de grãozinhos sem fim e quando um deles fez mais força, o grão de areia desabou. Caiu, com todos os outros por cima de si, empurrando-o para baixo. Sabia que conseguiria voltar à tona, mas para isso teria de fazer imensa força. Contudo, faltava-lhe a coragem. Faltava-lhe um motivo para que viesse ao de cima, imponente, como o maior grão de areia do início. Ainda assim, sabia também que quando mais baixo fosse, mais complicado seria voltar ao de cima.
Outros grãos de areia incentivavam-no a subir, gritavam-lhe, que era capaz e uma estupidez estar naquela situação, sem reagir. Um, apenas um, aquele que se lhe juntara, deixava que o grão de areia continuasse no fundo, aguentando, aguentando...
Ele era apenas um grão de areia em todo aquele deserto. Mas era um grão de areia que precisava de viver e ali, aguentando, nem sempre conseguia fazê-lo da melhor forma. Outros grãos de areia passeavam com a brisa que de vez em quando passava, mas ele mantinha-se quieto, com todos os outros por cima. Que devia fazer? Mandá-los embora e seguir a aragem, ou aguentar, outro após outro, os grãos de areia que o faziam viver de uma forma inconstante?
Precisava de si, apenas o sabia. Precisava de se sentir bonito, de saber que era O Grão de Areia no meio de todo aquele deserto.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Respirar.

Espetou-se-lhe no peito e as lágrimas rolaram.
Sem raciocinar, apenas imóvel e quieta.
Memórias, lugares, pessoas, tudo, cada momento na sua mente, cada recordação na palma da sua mão. Podia soprá-las ao vento ou guardá-las para sempre. Podia guardar-lhes a felicidade e tapar-lhes a mágoa. Podia aproveitá-las, mas não conseguia transformá-las em passado.
Nunca seria algo deixado para trás, pois nunca deixaria de existir.
Mas elas caíam, insistentes e repetitivas. Não paravam, sabe-se lá porquê.
Eram o espelho de uma alma afogada que soltava naquelas ondas o excesso de que não precisava para poder respirar.

terça-feira, 15 de abril de 2008

As minhas 7 Maravilhas

Pois é, aqui está um desafio que me foi deixado pela minha amiga Diana e que me faz escrever pela segunda vez hoje, visto que só agora me lembrei de ir dar a revisão aos meus blogs amigos e ler o que escrevem, ainda que ela me tenha lembrado há imenso tempo. Enfim, nem é preciso comentários não é? Desculpa rapariga! Aqui vai então disto, é o que sair, que é para ser mais autêntico!
1ª maravilha minha:
Ser feliz! É lindo, sei lá, é brutal. Adoro, amo ser feliz. Acordar e ir para o espelho com uma cara de nem sei o quê e cantar, dançar de felicidade. É maravilhoso, pois é.
2ª maravilha minha:
Mimos. Adoro mimos. Mimar e ser mimada, é mesmo bom. Ainda faz com que se concretize mais a primeira, sabe?
3ª maravilha minha:
Ter a minha família e os meus amigos comigo. Olhar para as caras que todos os dias me fazem gostar de mim. Os meus pais e a piteca mais o puto, o meu bixinho, os verdadeiros amigos que, embora poucos mas excelentes, se mantém e aquelas amigas que a cada dia são mais minhas - Ni, Cata, Sofia.
4ª maravilha minha:
O meu Milkie. Opah, eu amo o meu carro, ninguém tem noção. Precisa que lhe limpe o pó!... Adoro conduzi-lo, sinto-me mesmo bem, livre! E quando ele ronca a pedir a mudança acima, cada vez mais depressa mas sempre tão bem. Pena que beba tanto, coitadinho. Mas eu amo o meu carro, bolas!
5ª maravilha minha:
O meu Benfica. E nem quero comentários de lagartagem e tripeirada odiosa aqui. O Benfica é o maior clube do mundo. E é o meu! Acabou, é maravilhoso e não há discussão.
6ª maravilha minha:
Pronto, vou ser gulosa: Um sundae de chocolate com as nozes. Ai fogo, é um pecado, juro. Quando as parvas das mulheres são forretas com o chocolate e as nozes fico mesmo aziada, fogo, parolas!
7ª e última maravilha minha:
Comida vá, de novo. Aquela massa do QuasiPronti que a Ni me ensinou! É fusilli com molho de natas, cogumelos e fiambre, mais milho, azeitonas e atum. Ai senhores, que antes de um sundae é tipo a 8ª maravilha do mundo!
E aqui está, deixo agora o desafio para a Ni e a Florbela! Se o quiserem fazer, é só seguir o exemplo!

Tão perto e tão longe.

Entrei aqui e deparei-me com a minha página.
A música começou a tocar, e fiquei a escutá-la, olhando o infinito e apenas a assimilar a letra.
Recordações mágicas atravessaram o meu espírito e sorri, com cada uma mais presente que a outra. Depois, tive o medo comigo, aquele que agora me atravessa a caminho de algo que parece um martírio, um fim longínquo de que sempre que parece acabado, volta, sem cessar.
Vivi a música, palavra por palavra, e soube que a sentia.
Há sempre um bocadinho bom dentro de nós, sempre uma identificação de um momento, um sorriso e uma lágrima.
Porque se choramos, rimos. Se rimos, se rimos, somos felizes. Se os fazemos em conjunto, nada de melhor há.
Porque tão perto e tão longe te tenho aqui, com vontade de mim, com amor de ti.
Mesmo sem chorar, rio sem fim. Afinal, cada sorriso solta uma gota feliz, que sei estar presente.
O que existe num conjunto, partilhado e diferente, é único. E tão perto e tão longe somos apenas nós, uma alma especial.