sexta-feira, 22 de outubro de 2010

saberemos...

Se tu soubesses... se eu soubesse! Posso não te ter por perto para te olhar, mas vejo-te constantemente. O teu nome paira no meu pensamento e não sei que fazer com ele. Depois, amanhã é um novo dia e a rotina mantém-se igual. Não sei fugir, não sei agir, não sei sentir. Será que ainda sei sonhar?

Vejo-te agora, aqui mesmo. Um olhar terno que só eu desvendo por acreditar que assim o é... ou por o saber, simplesmente, tendo a certeza de que se um dia me deres um abraço será o mais terno de todos até então. Mesmo no meio da multidão, sei sempre onde páras e quando sorris. Se tu soubesses...

Não existe explicação plausível e minimamente aceitável. É apenas como um rio onde a água naturalmente corre, no seu leito, nada mais ou menos complicado. Ainda agora, agora mesmo, te imagino na timidez constante que, embora não pareças ter, faz tanta parte de ti como um simples inspirar/expirar.

Só tu fazes o meu sol brilhar, conseguindo com que eu perca o jeito e não te saiba falar. Saberei sorrir-te? Saberei distinguir o que é isto que não identifico, de algo que não conheço mesmo? Acabas por chegar sempre, demorando mais ou menos tempo. Naturalmente, como um dia em que entras num café e pedes um copo de água... mas eu complico, eu transformo e não entendo, não defino, não resolvo. Imagino e anseio. Será que transmito? Se eu soubesse!

Se tu soubesses... se eu soubesse!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

atabalhoamento

Queria ir dormir, mas não consigo. Não tenho explicação que justifique todas as viagens do meu pensamento, mas a verdade é que ele se farta de voar por aí, acabando por para sempre no mesmo destino. Tento a todo o custo programar-me, ainda que me pareça mais difícil a cada dia. Nem sei que diga ou que escreva, apenas sei que penso em tudo o que não quero pensar e não consigo exprimir.

É como aquelas máquinas de jogos de quando era pequena: coloca-se uma moeda e depois, com o gancho, tentas agarrar o brinquedo que queres para o poderes ter. O problema surge quando consegues tirar todos os brinquedos dentro da máquina, menos o que queres - assim estou eu.

Todos os dias me levanto e me pergunto porque é que não posso dormir mais um pouco. Abrir a porta e levar com o vento frio na cara faz com que me retraia e me apeteça voltar de novo para dentro, mas nunca volto. Vou contra ele e deixo-me ir, em mais uma rotina, em mais um dia que já está programado por inteiro. Com tanta definição, só mesmo o meu pensamento para ser livre de voar e poder chegar onde quiser.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

fascínio

Tenho-te um fascínio. Não me peças para to explicar, porque nem eu sei de onde ele veio, nem como é. Apenas to tenho, simplesmente, como tão natural é respirarmos a cada momento. Não consigo controlá-lo, tal como não consigo deixar de te imaginar a sorrir para mim, com um ar meigo que não conheço, mas que idealizo de uma forma tão pura que me parece familiar.
Não encontro um motivo ou uma explicação, por minimalista que seja, para te ter tal fascínio, mas tenho. Talvez partilhemos as mesmas motivações sem o saber, ou talvez o saibamos demais que não precisamos de o dizer. Resta-me olhar-te de soslaio, como até agora, e sorrir na esperança de que repares em mim... ou deixar-me levar pela brisa, indo até onde terei de ir, sem ansiar um desfecho e a história do mesmo.
Tenho-te um fascínio, e isso basta. Agora, 'o sonho comanda a vida', portanto caminharemos até onde nos levar. Porque ter-te fascínio é saber-te feliz, e isso é saber sonhar. Sonhar que, para além de uma estrela no céu,  és a estrela que move os meus dias na procura de um sorriso sincero.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mano

Foi há dez anos, lembro-me muito bem. Andava no básico. Em todas as aulas, hora e meia após hora e meia, pedia aos professores para sair e telefonar ao meu pai, sempre com a mesma pergunta: "já nasceu?".

Lembro-me de o ir ver e ter de subir escadas e mais escadas, de estar no quarto da maternidade e gritar golos do Benfica enquanto ele e mais três bebés choravam.

Sei que lhe demos mil e uma alcunhas, e continuamos a dá-las, tratando-o sempre como o nosso bombom.

E quando ele tinha aqueles caracolinhos dourados, aos quais ninguém conseguia resistir? As bochechas gordinhas, super fofinho e engraçado, sempre com vontade de correr e já com o bichinho da bola e dos carrinhos...

Depois chegou a hora da escola e chorei quando terminou o infantário.

Hoje já sabe andar de bicicleta. Medricas como eu fui, mas sabe. E joga à bola, joga muito bem à bola, melhor do que o que eu joguei algum dia...

Aquele bolinho pequenino já está grande, agora só quer é cromos. Colar cadernetas e cadernetas, trocá-los com os amigos e decorar mil nomes de jogadores de futebol.

O meu menino cresceu e está cada vez mais forte. Agora já me escreve fitas de finalista, e hoje já lhe escrevi uma cartinha... porque ele já sabe ler e escrever.

E o tempo passa, e eu cá continuo com ele. Tal como naquele dia em que o vi como um bebé, parecido a todos os outros bebés.

Mesmo igual, tinha algo de especial, que ainda hoje continua a ter e é o mais importante de tudo o resto: é o meu mano, e eu vou gostar sempre mais que muito dele.

Parabéns Joãozinho.