Às vezes penso que gostava de lá estar e de lá viver. Seria mais calmo, sem toda esta preocupação e perseguição. Sim, cansa esta perseguição.
Não se pode errar no mundo daqui, não nos é aceite nem uma falha, por muito pequena que nos pareça. Tudo é motivo para que se aponte o dedo, para que se ralhe, para que não se compreenda - nem se tente compreender.
É bom ir lá, estar lá e ficar lá por um tempo... As saudades daqui começam a apertar e volta-se com vontade, deixando para lá a saudade.
Mas quando cá se chega, vê-se que afinal nada mudou: as palavras amargas são as mesmas, os insultos repetidos, os dedos bem espetados e impropérios irritados.
Valerá a pena suportar a saudade daqui, estando lá? Será melhor estar aqui, indo lá desligar e voltar?
Lá ou cá, cá ou lá... entre os dois mundos, talvez seja melhor.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Sou
Gosto de romance. Gosto de histórias de amor impossível em que tudo está bem quando acaba bem. Gosto de histórias em que a paixão é rainha, em que a entrega é máxima, em que o amor é vida. Gosto de romance, gosto mesmo de romance.
Sou sensível, sou crente nas melhores capacidades das pessoas, sou eu. Sou deslumbrada com o amor e com os que amam. Sou de lágrimas quando me deparo com uma história arrebatadora, idealista. Pouco possível até.
Gosto de romance e sou sensível. Sou, acima de tudo, capaz de sonhar. Capaz de acreditar naquilo que vem nos livros que gosto de ler e que muitos poderão criticar. Gosto de romance, quero-o real. Gosto de testemunhar felicidade, de viver felicidade.
É isso, sou sonhadora. Enquanto o mundo me permitir, sê-lo-ei, acima de qualquer coisa.
Afinal, sonhar ainda é de borla. Não?
Sou sensível, sou crente nas melhores capacidades das pessoas, sou eu. Sou deslumbrada com o amor e com os que amam. Sou de lágrimas quando me deparo com uma história arrebatadora, idealista. Pouco possível até.
Gosto de romance e sou sensível. Sou, acima de tudo, capaz de sonhar. Capaz de acreditar naquilo que vem nos livros que gosto de ler e que muitos poderão criticar. Gosto de romance, quero-o real. Gosto de testemunhar felicidade, de viver felicidade.
É isso, sou sonhadora. Enquanto o mundo me permitir, sê-lo-ei, acima de qualquer coisa.
Afinal, sonhar ainda é de borla. Não?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
calma, tudo está em calma
Hoje vim trabalhar cedo. Fiquei deslumbrada com a calma que as ruas transpiravam. Ainda era noite, mas já os pássaros cantavam.
Enquanto conduzia por entre as ruas, vi quanto o mundo adormecido pode ser belo. Vi-me num sentimento especial - eu parecia a única pessoa a viver, a sentir, a ver por ali, por aquela hora.
Se às vezes se deixassem as preocupações na cama, a dormir mais um bocadinho, seria bom que se pudesse levantar assim de vez em quando, ainda com a escuridão do dia que começa a amanhecer.
Seria bom que, de vez em quando, se pudesse respirar a calma do mundo... Respirá-la naqueles momentos em que parece que só nós por ele vagueamos. Um instante nosso, em que a calma contagia e deixa ficar um sorriso.
Um sorriso sincero e pacífico, que faço chegar a todo o lado com um "bom dia" através dos microfones da rádio.
Enquanto conduzia por entre as ruas, vi quanto o mundo adormecido pode ser belo. Vi-me num sentimento especial - eu parecia a única pessoa a viver, a sentir, a ver por ali, por aquela hora.
Se às vezes se deixassem as preocupações na cama, a dormir mais um bocadinho, seria bom que se pudesse levantar assim de vez em quando, ainda com a escuridão do dia que começa a amanhecer.
Seria bom que, de vez em quando, se pudesse respirar a calma do mundo... Respirá-la naqueles momentos em que parece que só nós por ele vagueamos. Um instante nosso, em que a calma contagia e deixa ficar um sorriso.
Um sorriso sincero e pacífico, que faço chegar a todo o lado com um "bom dia" através dos microfones da rádio.
terça-feira, 13 de março de 2012
cabeça cheia sem rebentar
Ás vezes temos a cabeça cheia de pensamentos e isso faz-nos ficar assim, cheios! Cheios quase até rebentar, mas sem que nunca se chegue àquele sentimento de alívio em que gritamos "rebenta a bolha!" e metade sai para fora...
Pergunta-mo-nos: é assim tão difícil rebentar? Responde-mo-nos: Não, é bastante fácil até, quando não queremos que aconteça. Quando algo nos corre mal e ainda estamos com esse nervoso miudinho, rebentamos tão rapidamente quanto o milésimo de segundo que leva a estoirar-se uma bola de sabão. Rebentamos muitas vezes sobre coisas que não queríamos, com pessoas que não queríamos.
Mas quando queremos mandar fora grande parte daquilo que ocupa espaço desnecessariamente e que nos faz sentir cheios, não conseguimos rebentar... Ainda que haja quem nos estenda a mão e diga que está ali, que podemos rebentar quando quisermos que seremos ouvidos, que o nosso alívio pode chegar bastando apenas que falemos, não conseguimos rebentar.
Porquê? Não sei, mas gostava de saber. Talvez porque aquilo que nos enche os pensamentos é o nada? Será que é por a nossa cabeça estar cheia de ar, por não ter nada de concreto em que pensar? Ou será porque a demasia de preocupações que se nos atravessam ao espírito diariamente são tantas e tão variadas, que as remetemos automaticamente para uma página em branco, porque não queremos lembrar-nos delas?
Não tenho resposta. Talvez nunca venha a ter. Mas talvez um dia serei capaz de gritar sozinha "rebenta a bolha!", para depois sentir o alivio de saber que posso falar e que estarei pronta para voltar a encher novamente.
Pergunta-mo-nos: é assim tão difícil rebentar? Responde-mo-nos: Não, é bastante fácil até, quando não queremos que aconteça. Quando algo nos corre mal e ainda estamos com esse nervoso miudinho, rebentamos tão rapidamente quanto o milésimo de segundo que leva a estoirar-se uma bola de sabão. Rebentamos muitas vezes sobre coisas que não queríamos, com pessoas que não queríamos.
Mas quando queremos mandar fora grande parte daquilo que ocupa espaço desnecessariamente e que nos faz sentir cheios, não conseguimos rebentar... Ainda que haja quem nos estenda a mão e diga que está ali, que podemos rebentar quando quisermos que seremos ouvidos, que o nosso alívio pode chegar bastando apenas que falemos, não conseguimos rebentar.
Porquê? Não sei, mas gostava de saber. Talvez porque aquilo que nos enche os pensamentos é o nada? Será que é por a nossa cabeça estar cheia de ar, por não ter nada de concreto em que pensar? Ou será porque a demasia de preocupações que se nos atravessam ao espírito diariamente são tantas e tão variadas, que as remetemos automaticamente para uma página em branco, porque não queremos lembrar-nos delas?
Não tenho resposta. Talvez nunca venha a ter. Mas talvez um dia serei capaz de gritar sozinha "rebenta a bolha!", para depois sentir o alivio de saber que posso falar e que estarei pronta para voltar a encher novamente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)