sexta-feira, 10 de junho de 2011

o jantar

"O jantar está pronto!" - grito da cozinha para quem me quiser ouvir.

"O jantar está pronto!" - gritarei de uma outra cozinha, para te indicar que deves ir lavar as mãos e vir para a mesa. Juntar-te a mim, partilhar uma refeição, rir muito enquanto esvaziamos o prato, contar peripécias de um dia inteiro de trabalho. Dar as mãos quando dizemos "estou exausta", sorrir com aquele brilhar nos olhos, terminar mais um dia a teu lado.

E assim será, perfeito, como é hoje embora sem ti aqui, como foi ontem, contigo a meu lado e como será amanhã - como o futuro quiser.

Tu na minha vida é mais do que suficiente.

domingo, 24 de abril de 2011

nova mensagem: sorriso.

É quando vejo o teu sorriso puro, que sei que o nosso amor é sincero. Aliás, sempre tive essa convicção dentro de mim, mas é algo tão difícil de acreditar ser verdade, que são necessárias provas palpáveis... e se essas pequenas banalidades fazem falta para que se tenha a absoluta certeza, então essa mesma certeza está dentro do teu sorriso.

Pode ser aqui, aos meus olhos, pode ser numa fotografia, pode ser no meu imaginário... pode ser onde queiras que seja, mas basta-me ter o teu sorriso para saber que tenho o mundo. É bom, o teu sorriso. É honesto e transparente. Sabes, é tão sincero que faz com que me digam "é notório que ele gosta mesmo de ti". E eu sei que sim, que gostas de mim. 

Sei que me olhas nos olhos e sorris sempre, sei que o teu abraço é o mais acolhedor que pode existir no mundo. Sei que, sempre que penso em ti, também eu me sorrio sem medo, sem premeditação - é por isto que sei que gostas de mim, é por o meu sorriso ser constante quando recordo a tua figura, quando estás presente, ou quando te coloco à minha frente apenas por te reconhecer num objecto insignificante. 

Por me sorrir assim, tão honestamente feliz, consigo saber que os nossos sorrisos são iguais. É por isso que também me dizem que "é notório que gostas mesmo dele". Está tão entranhado em nós, o que quer que seja, que até os seres mais obscuros conseguem ver o que nos une. Agora, sinto falta do teu sorriso... Sei que consigo vê-lo na minha cabeça, em montanhas de fotografias, mas preciso de vê-lo aqui, agora, à minha frente. Preciso do teu abraço forte e reconfortante, preciso do silêncio de estar junto a ti, a desfrutar do mundo.

É esta ânsia, este querer, este reconhecer de que os nossos sorrisos são iguais, que me dizem que o nosso amor é sincero. Dentro de mim sei sabe-lo, mas fora de mim tenho todas as provas desnecessárias para que acredite nisso. Afinal de contas, dê o mundo as voltas que der, o teu sorriso trazer-me-à sempre a certeza de que te amo. É por isso que o nosso amor é sincero: porque todas estas palavras tentam explicar algo que nem eu, nem tu, conseguiremos algum dia explicar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

sonhei.

Sonhei que o meu sonho se tornava real. Sonhei que encontrava por aí um amor perdido, um amor que julguei não existir e nunca encontrar. Sonhei que me dedicava a esse amor, tanto quanto ele a mim. Sonhei que, num sonho real, existiria amor, fosse onde fosse.

Sonhei que encontrava um príncipe igual àqueles dos livros que lia em miúda, que me olhava com ternura para que me sentisse amada, simplesmente. Sonhei que o tinha a meu lado a toda hora, enquanto presença constante e imprescindível no meu dia a dia. Sonhei que, sem nada me dizer, ele me diria tudo aquilo que eu mais ambicionava ouvir.

Sonhei que me sentiria querida em todos os momentos, feliz sem hesitar em cada segundo de partilha. Sonhei que passaria a acreditar no "para sempre" com todas as minhas forças, apenas com certezas daquelas que nada nem ninguém conseguem explicar. Sonhei que me faria forte, apenas por me saber segura de um sentimento puro e verdadeiro.

Sonhei que seria tudo, que não teria medo, que saberia haver um futuro. Sonhei que havia um sorriso que nunca ia desaparecer da minha memória. Sonhei com um sabor e um odor inesquecíveis, que se prenderiam a mim como uma presença indistinta da minha existência.

Sonhei contigo, com o que me serias e com o que me és.

E no fim de sonhar dei conta que, afinal, sempre estive acordada. Existes, em mim, na minha essência. Quero-te a ti mais do que à vida.

domingo, 6 de março de 2011

...

Gostava de compreender melhor as pessoas. Gostava de compreender melhor os seus impulsos, gostava de saber lê-las sem as saber de cor. Gostava de entender porque nos proferem tais palavras se já sabem que, no momento seguinte, alguém irá irromper em lágrimas incompreendidas extrapoladas por uma mágoa que permanece, que infelizmente não mata, mas que mói. Gostava de saber porque nos dão aquele abraço reconfortante, que é suposto justificar atitudes sem justificação.

Gostava de ser burra, gostava de ser estúpida e inútil ao ponto de não me importar, de não querer saber. Gostava de andar por aí com um sorriso cínico, sem que me doesse o peito ao ver tristeza, sem que ficasse preocupada ao saber que, possivelmente, errei. Gostava de ser fria e distante, gostava de não estar aqui. Gostava de entender porque é que, se não o sou com ninguém, o mundo tem de ser cruel comigo. Gostava de saber porque é que colocam à prova os meus limites, as minhas dores, o meu bom senso. Gostava de compreender porque é que, em vez de incentivo, sinto recriminação constante.

Gostava que não fosse difícil estar na presença de alguém. Gostava de poder olhar nos olhos dos outros e ver um mínimo de interesse, de carinho e de compreensão. Gostava de saber como não tornar em dor as palavras que nos ferem, que nos despedaçam e que nos fazem cair continuamente, sem que nos levantemos do chão. Gostava de ver orgulho. 

Nem todos os nossos sonhos podem ser reais, até porque a maior parte deles nunca o são ou serão um dia. Mas, lá pelo meio, há sempre um que se realiza. Gostava que os meus sonhos fossem reais, os mais pequeninos e os mais simples, porque esses fazem toda a diferença. Gostava que, um abraço reconfortante fosse mesmo um abraço reconfortante, e não uma miragem disso. Gostava que, de cada vez que as palavras fossem proferidas, houvesse um tom de entreajuda e não um de pura recriminação. Gostava de compreender as pessoas, de lê-las sem as saber de cor. Gostava de compreender porque é que, em vez de estar a sorrir, agora só me apetece chorar.