Lembro-me muito bem da primeira vez em que te vi. Lembro-me de pensamentos estranhos e disformes, causados pela tua presença inesperada. Lembro-me de sensações estranhas e pressentimentos positivos do que poderias vir a ser.
Foi o tempo, foi o acaso. Foram as conversas, as brincadeiras. As partilhas e os desabafos. E sem sequer sabermos como, sem encontrarmos explicação, tornámo- nos naquilo que em tempos áureos fomos. Só nós, indiferentes a toda a banalidade. Intocáveis pelo que pudesse vir do mundo, convictos de que nada poderia destruir a cumplicidade que a vida tinha construído.
Quis acreditar nisso. Acreditei. Ainda hoje continuo a acreditar, mesmo depois de todos os silêncios e dos sinais que essa ausência traz. E ainda assim, aqui continuo e continuarei disposta a remar contra a maré, a tentar mais uma vez. A voltar a dar a mão à palmatória para recuperar o que se foi embora, sem que déssemos conta.
Não sei se terei forças para lutar para sempre, não sei. Não sei se conseguirei vencer esta batalha inglória em que me coloco minuto após minuto. Acho até que perdi, mas não quero acreditar nisso.
Agora, vou voltar a confiar no tempo. Vou acreditar que tal como da primeira vez, a cumplicidade vai chegar de novo. Até lá, até saber o desfecho, fico-me com as recordações.
Embora com um sorriso triste, aquecem o coração. E o ditado é sábio: a esperança é a última a morrer.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
faz o teu caminho, fico no meu
Sai. Desaparece de vez. Leva tudo contigo e não voltes atrás. Não me deixes sequer ter saudades ou cair na fraqueza de expressar que te gosto. Estou cansado, exausto. Preciso de dormir sobre ti e acordar passado muito tempo, sem saber que te sonhei.
Quero passar por ti na rua e sorrir-te sem pensar em mais nada. Sem me lembrar do depois, no que há mais para além do esboçar de algo com os lábios. Leva todos os acessórios que me pregaste e deixa-me apenas a simplicidade de outra pessoa qualquer, uma dessas por quem passamos na vida.
Estou sem forças para me debater contra ti, estou farto de o fazer e não ver resultados. Por isso deixa-me, deixa-me somente. Não me consumas mais o pensamento, as forças, a lucidez. Vai embora e fica só por ficar. Podes ajudar-me e fazer isso? Não te é difícil. É só deixares o olhar cúmplice e virares costas, caminhando com passos firmes. Dizendo um até logo para que, quando te voltar a encontrar, sejas normal. Só normal. É normal que te quero, não isto.
Já chega do mais. Chega da confusão que armas, do pânico que instalas, do medo que consomes. Sai e desaparece de vez. Vai numa caminhada decisiva e manda-te de cabeça para o futuro. Deixa-me só aqui, sossegado. Depois, quando nos voltarmos a encontrar, falamos. E quem sabe se quando falarmos já terá passado tudo isto e por isso consigamos ser cúmplices de uma forma doce de novo.
Quero passar por ti na rua e sorrir-te sem pensar em mais nada. Sem me lembrar do depois, no que há mais para além do esboçar de algo com os lábios. Leva todos os acessórios que me pregaste e deixa-me apenas a simplicidade de outra pessoa qualquer, uma dessas por quem passamos na vida.
Estou sem forças para me debater contra ti, estou farto de o fazer e não ver resultados. Por isso deixa-me, deixa-me somente. Não me consumas mais o pensamento, as forças, a lucidez. Vai embora e fica só por ficar. Podes ajudar-me e fazer isso? Não te é difícil. É só deixares o olhar cúmplice e virares costas, caminhando com passos firmes. Dizendo um até logo para que, quando te voltar a encontrar, sejas normal. Só normal. É normal que te quero, não isto.
Já chega do mais. Chega da confusão que armas, do pânico que instalas, do medo que consomes. Sai e desaparece de vez. Vai numa caminhada decisiva e manda-te de cabeça para o futuro. Deixa-me só aqui, sossegado. Depois, quando nos voltarmos a encontrar, falamos. E quem sabe se quando falarmos já terá passado tudo isto e por isso consigamos ser cúmplices de uma forma doce de novo.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
inexplicável
É inexplicável. E é-o, porque o é.
A cumplicidade instantânea e pura, sem combinação prévia, na verdadeira acepção da palavra. É-o, porque o é. Porque não poderia ser de outra maneira. Porque não daria para ser doutra maneira.
E a mínima falha sente-se. Ressente-se. Volta a sentir-se. Não magoa, mas custa. Não parte, mas deixa mossa. Porque quando não é tudo e passa a ser apenas quase tudo, sente-se. Não está, mas vai estando.
Continua a ser inexplicável, porque o é. Quando o mundo nos dá um prato cheio de coisas boas temos de as saborear todas. Se nos tiram um ingrediente, o sabor não é o mesmo. E sem um pedaço do sabor, nunca será o mesmo. Foi-o ontem, foi-o até à pouco. Agora não o é. Será amanhã? Será daqui para a frente? Sê-lo-á como o foi?
Continua a ser inexplicável. O princípio, o meio e o fim que não tem. E é-o. Porque o é.
Porque o será sempre, mesmo sem a cereja no topo do bolo.
A cumplicidade instantânea e pura, sem combinação prévia, na verdadeira acepção da palavra. É-o, porque o é. Porque não poderia ser de outra maneira. Porque não daria para ser doutra maneira.
E a mínima falha sente-se. Ressente-se. Volta a sentir-se. Não magoa, mas custa. Não parte, mas deixa mossa. Porque quando não é tudo e passa a ser apenas quase tudo, sente-se. Não está, mas vai estando.
Continua a ser inexplicável, porque o é. Quando o mundo nos dá um prato cheio de coisas boas temos de as saborear todas. Se nos tiram um ingrediente, o sabor não é o mesmo. E sem um pedaço do sabor, nunca será o mesmo. Foi-o ontem, foi-o até à pouco. Agora não o é. Será amanhã? Será daqui para a frente? Sê-lo-á como o foi?
Continua a ser inexplicável. O princípio, o meio e o fim que não tem. E é-o. Porque o é.
Porque o será sempre, mesmo sem a cereja no topo do bolo.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Mais perto de ti
Hoje chorei. Bebi palavras de dor que antes foram de esperança. Gritei-as com medo, frustração e impotência. Hoje o "mais perto de ti" parece esfumar-se com as palavras rotineiras.
Se dantes o encarava com esperança e crença de que tudo poderia ser diferente, melhor e inigualável a cada dia, hoje vejo-o com o medo de que o que agora é especial, daqui a um tempo passe a ser um pedido implorado e sofrido para que tudo permaneça.
Havia a certeza de que "se tudo acabar, nós voltamos a começar". Agora haverá? Sinto o distanciamento a chegar, disfarçado pelo hábito e pela rotina. Não o quero, mas não tenho força para conseguir mandá-lo embora sozinha... E tento, tento muito.
Hoje bebi palavras de dor que antes foram de esperança. "Diz-me o que pensas, não o que eu quero ouvir", faz-me voltar á esperança de que aquela cumplicidade que apenas nós sabemos a que sabe vai continuar a dar significado ao para sempre.
Se dantes o encarava com esperança e crença de que tudo poderia ser diferente, melhor e inigualável a cada dia, hoje vejo-o com o medo de que o que agora é especial, daqui a um tempo passe a ser um pedido implorado e sofrido para que tudo permaneça.
Havia a certeza de que "se tudo acabar, nós voltamos a começar". Agora haverá? Sinto o distanciamento a chegar, disfarçado pelo hábito e pela rotina. Não o quero, mas não tenho força para conseguir mandá-lo embora sozinha... E tento, tento muito.
Hoje bebi palavras de dor que antes foram de esperança. "Diz-me o que pensas, não o que eu quero ouvir", faz-me voltar á esperança de que aquela cumplicidade que apenas nós sabemos a que sabe vai continuar a dar significado ao para sempre.
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