domingo, 6 de setembro de 2009

medo e cíume

É corrosivo, horrível e mau. É o sentir algo tão destrutivo. É a mágoa da insegurança que se personifica quando se olha para banalidades, banalidades que num momento parecem tudo significar. O corroer do interior debaixo de algo que não se quer sentir. É o que se odeia, é o cíume. É o que se teme, é o medo.
É o medo que ganha expressão, quando sentido como algo que não queremos perder. É o temer que haja um assalto àquilo que se é e que se leve embora o que mais se quer que fique. Assim, quando se vê algo aproximar, corrói por dentro, como uma ferida que está cada vez mais difícil de sarar... Um arranhão que vai esfolando continuamente, cuja dor somente acalma quando o medo se esconde por momentos.
O cíume é o medo. Saudável quando contido, mas sempre aterrador. Algo que assolapa cada respirar fundo, com o medo do esquecimento e do abandono. Só quando vem aquele algodão embebido num desinfectante carinhoso é que a dor acalma... Absorve a plenitude por momentos, para depois, pouco depois, voltar a lembrar a corrosão.
O medo é o cíume. Quando se tem medo é porque algo é verdadeiramente importante. Quando se tem cíume é porque algo é tão importante ao ponto de ser verdadeiro.