Não, não me esqueci.
Tal como não me esqueci de como começou esta descoberta do "nós". Improvável, construída de forma singular, desde logo verdadeiramente honesta. Sem nunca colocar em causa o porquê, apenas deixando que o tempo fosse o guia deste caminho que vamos percorrendo.
E quando me perco, bem sei que é à tua porta que tenho de ir bater. É sempre de lá que virá a palavra que me deixa calma mas, acima de tudo, que me ajuda a encontrar a razão. Vês como não me esqueço?
Lembro-me da partilha. De neuras, de ciúmes, de parvoíces, de conversas sem sentido, de apoio, de momentos importantes e, sobretudo de amor.
Isto de amar alguém que escolhemos ter na nossa vida tem muito que se lhe diga. Há quem o ache estúpido ou apenas palavras saídas da boca para fora, mas sei que tu saberás que isto é uma coisa minha. E por ser minha e por ser para ti, sei que a compreenderás. Como compreendemos aquilo que nos damos.
Sei que sabes também tu o caminho para a minha porta e que nunca deixes de lado a convicção no teu punho para lá bateres.
A improbabilidade que nos juntou é aquela que nos mantém juntas. Utópico, é certo, mas tão meu... não é? O problema é que acredito que somos capazes. Acredito que nos manteremos. E se acredito é quase impossível dar-me a volta...
Não, não me esqueci. Como poderia esquecer-me?
Parabéns pequena.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
mistério
Há aquelas pessoas misteriosas. Que fazem querer descobrir mais, querer estar lá sempre, querer pegar na mão e levar em frente, ajudar a desbravar caminho.
Sem dar conta faz-se delas pertença, inflamada pelo sabor da derrota quando não se consegue atingir o objectivo proposto, criado sem avisar ninguém. Aí, o caminho passa a ser feito de forma aleatória, sem a mão para guiar, sem a palavra para aconchegar e incentivar a palmilhar o trilho correcto.
E ao longe vê-se a perda. A desilusão. A convicção de que, se lá se tivesse continuado, tudo seria mais risonho, fácil e, quem sabe, correcto. Poderá classificar-se assim? Poderá julgar-se que a ausência conduz ao errado?
Talvez não. Talvez sim. Talvez dependa. Mas o serem misteriosas faz com que todas as hipóteses estejam em cima da mesa. O serem misteriosas é o que as mantém presentes, mesmo quando estão tão longe... e naquele dia em que voltarem, se voltarem, tudo será como sempre foi e haverá a mesma vontade de lhes agarrar na mão e puxá-las para o caminho certo. Afinal de contas o mistério que carregam é o que lhes diz que a vida deve ser vivida segundo a segundo, caindo num, para levantar no outro.
Há aquelas pessoas misteriosas para quem se está sempre disponível. Basta saber se a sua disponibilidade é coincidente com a nossa.
Sem dar conta faz-se delas pertença, inflamada pelo sabor da derrota quando não se consegue atingir o objectivo proposto, criado sem avisar ninguém. Aí, o caminho passa a ser feito de forma aleatória, sem a mão para guiar, sem a palavra para aconchegar e incentivar a palmilhar o trilho correcto.
E ao longe vê-se a perda. A desilusão. A convicção de que, se lá se tivesse continuado, tudo seria mais risonho, fácil e, quem sabe, correcto. Poderá classificar-se assim? Poderá julgar-se que a ausência conduz ao errado?
Talvez não. Talvez sim. Talvez dependa. Mas o serem misteriosas faz com que todas as hipóteses estejam em cima da mesa. O serem misteriosas é o que as mantém presentes, mesmo quando estão tão longe... e naquele dia em que voltarem, se voltarem, tudo será como sempre foi e haverá a mesma vontade de lhes agarrar na mão e puxá-las para o caminho certo. Afinal de contas o mistério que carregam é o que lhes diz que a vida deve ser vivida segundo a segundo, caindo num, para levantar no outro.
Há aquelas pessoas misteriosas para quem se está sempre disponível. Basta saber se a sua disponibilidade é coincidente com a nossa.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
O ditado
Lembro-me muito bem da primeira vez em que te vi. Lembro-me de pensamentos estranhos e disformes, causados pela tua presença inesperada. Lembro-me de sensações estranhas e pressentimentos positivos do que poderias vir a ser.
Foi o tempo, foi o acaso. Foram as conversas, as brincadeiras. As partilhas e os desabafos. E sem sequer sabermos como, sem encontrarmos explicação, tornámo- nos naquilo que em tempos áureos fomos. Só nós, indiferentes a toda a banalidade. Intocáveis pelo que pudesse vir do mundo, convictos de que nada poderia destruir a cumplicidade que a vida tinha construído.
Quis acreditar nisso. Acreditei. Ainda hoje continuo a acreditar, mesmo depois de todos os silêncios e dos sinais que essa ausência traz. E ainda assim, aqui continuo e continuarei disposta a remar contra a maré, a tentar mais uma vez. A voltar a dar a mão à palmatória para recuperar o que se foi embora, sem que déssemos conta.
Não sei se terei forças para lutar para sempre, não sei. Não sei se conseguirei vencer esta batalha inglória em que me coloco minuto após minuto. Acho até que perdi, mas não quero acreditar nisso.
Agora, vou voltar a confiar no tempo. Vou acreditar que tal como da primeira vez, a cumplicidade vai chegar de novo. Até lá, até saber o desfecho, fico-me com as recordações.
Embora com um sorriso triste, aquecem o coração. E o ditado é sábio: a esperança é a última a morrer.
Foi o tempo, foi o acaso. Foram as conversas, as brincadeiras. As partilhas e os desabafos. E sem sequer sabermos como, sem encontrarmos explicação, tornámo- nos naquilo que em tempos áureos fomos. Só nós, indiferentes a toda a banalidade. Intocáveis pelo que pudesse vir do mundo, convictos de que nada poderia destruir a cumplicidade que a vida tinha construído.
Quis acreditar nisso. Acreditei. Ainda hoje continuo a acreditar, mesmo depois de todos os silêncios e dos sinais que essa ausência traz. E ainda assim, aqui continuo e continuarei disposta a remar contra a maré, a tentar mais uma vez. A voltar a dar a mão à palmatória para recuperar o que se foi embora, sem que déssemos conta.
Não sei se terei forças para lutar para sempre, não sei. Não sei se conseguirei vencer esta batalha inglória em que me coloco minuto após minuto. Acho até que perdi, mas não quero acreditar nisso.
Agora, vou voltar a confiar no tempo. Vou acreditar que tal como da primeira vez, a cumplicidade vai chegar de novo. Até lá, até saber o desfecho, fico-me com as recordações.
Embora com um sorriso triste, aquecem o coração. E o ditado é sábio: a esperança é a última a morrer.
domingo, 29 de setembro de 2013
faz o teu caminho, fico no meu
Sai. Desaparece de vez. Leva tudo contigo e não voltes atrás. Não me deixes sequer ter saudades ou cair na fraqueza de expressar que te gosto. Estou cansado, exausto. Preciso de dormir sobre ti e acordar passado muito tempo, sem saber que te sonhei.
Quero passar por ti na rua e sorrir-te sem pensar em mais nada. Sem me lembrar do depois, no que há mais para além do esboçar de algo com os lábios. Leva todos os acessórios que me pregaste e deixa-me apenas a simplicidade de outra pessoa qualquer, uma dessas por quem passamos na vida.
Estou sem forças para me debater contra ti, estou farto de o fazer e não ver resultados. Por isso deixa-me, deixa-me somente. Não me consumas mais o pensamento, as forças, a lucidez. Vai embora e fica só por ficar. Podes ajudar-me e fazer isso? Não te é difícil. É só deixares o olhar cúmplice e virares costas, caminhando com passos firmes. Dizendo um até logo para que, quando te voltar a encontrar, sejas normal. Só normal. É normal que te quero, não isto.
Já chega do mais. Chega da confusão que armas, do pânico que instalas, do medo que consomes. Sai e desaparece de vez. Vai numa caminhada decisiva e manda-te de cabeça para o futuro. Deixa-me só aqui, sossegado. Depois, quando nos voltarmos a encontrar, falamos. E quem sabe se quando falarmos já terá passado tudo isto e por isso consigamos ser cúmplices de uma forma doce de novo.
Quero passar por ti na rua e sorrir-te sem pensar em mais nada. Sem me lembrar do depois, no que há mais para além do esboçar de algo com os lábios. Leva todos os acessórios que me pregaste e deixa-me apenas a simplicidade de outra pessoa qualquer, uma dessas por quem passamos na vida.
Estou sem forças para me debater contra ti, estou farto de o fazer e não ver resultados. Por isso deixa-me, deixa-me somente. Não me consumas mais o pensamento, as forças, a lucidez. Vai embora e fica só por ficar. Podes ajudar-me e fazer isso? Não te é difícil. É só deixares o olhar cúmplice e virares costas, caminhando com passos firmes. Dizendo um até logo para que, quando te voltar a encontrar, sejas normal. Só normal. É normal que te quero, não isto.
Já chega do mais. Chega da confusão que armas, do pânico que instalas, do medo que consomes. Sai e desaparece de vez. Vai numa caminhada decisiva e manda-te de cabeça para o futuro. Deixa-me só aqui, sossegado. Depois, quando nos voltarmos a encontrar, falamos. E quem sabe se quando falarmos já terá passado tudo isto e por isso consigamos ser cúmplices de uma forma doce de novo.
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