terça-feira, 16 de julho de 2013

Sereia

Não sabe. É a razão contra o coração. É o labirinto de ideias sem o centro à vista. Não sabe. As voltas e mais voltas terminam num turbilhão incessante, sem descanso, com frio, humidade, rodopios e espuma.
Os pés levitam do chão, o cabelo esvoaça. As voltas e mais voltas, o enjoo que chega com a ideia horrível das voltas não pararem. A sereia entrou no furacão e não tem forma de sair. É um misto de azul e preto, de voar no medo. Não sabe.
Esticou um braço, esperou que a puxassem. Viu mãos estendidas que tentam agarrá-la, puxá-la para o porto seguro e livrá-la da onda mais forte que a fará afogar-se. As mãos. Uma vai mais fundo no rodopio, outra treme mais. As mãos. Não sabe. Uma prende-a mas está quase a largá-la. A outra procura-a incessantemente para a agarrar.
O rodopio continua, as voltas e mais voltas. O enjoo. A espuma que vai com o vento à volta do furacão. A sereia... não sabe.

domingo, 14 de julho de 2013

semáforo

O caminho não é escolhido, é percorrido.
Tudo parece tão fácil até ao momento em que estacas. Passas pelo simples e pelo complicado, tropeças por vezes, mas continuas. É o teu caminho e tens de fazê-lo.
A linha da meta é já ali, basta medir as distâncias e seguir, logo à frente haverá novo desafio. Mas tens um compasso de espera - descansas, respiras fundo e voltas a encarar a prova.
Às vezes achas que não sabes para onde virar, mas o teu instinto diz-te e leva-te para algum lado. Por vezes não o certo, mas o necessário. Quando dás por ti já deste o passo que te encaminhou seja lá para onde for e aí, que seja o que tiver de ser.
Mas e agora? Está vermelho, páras à espera de sinal para avançar. É quando o ar fresco do abismo faz com que o teu cabelo esvoace e sintas um arrepio pela espinha.Se vais em frente, colocas o pé no vazio e cais. Não pode ser. Continua vermelho.
Depende de ti.
Escolhe. Direita ou esquerda.
Verde. O semáforo abriu.
E agora?

terça-feira, 9 de julho de 2013

Encher o coração

Às vezes é tão fácil encher o coração. É senti-lo vibrar de tal forma, até pulsar na garganta, até a felicidade atingir a sua forma plena e a pureza extravasar-se em sorrisos e acções palermas. É acreditar nas pessoas, senti-las com a maior facilidade, de espírito aberto, na ânsia de as conhecer.
Quando menos esperamos é tão fácil encher o coração. É acreditar que o mundo ainda pode ter algo de bom, que a vida não é para ser desperdiçada e que todos os momentos valem a pena. É as lágrimas que teimam em querer aparecer, de tão fácil que é ser feliz.
Quando mais precisamos é tão fácil encher o coração. É que ainda há pessoas que sonham, que fazem, que se dedicam e que não se importam de o mostrar. É pairar sobre o chão, apenas porque sim. É construir onde o solo parecia tão inconstante e fazê-lo com alicerces fortes, naturais, bem fundos no chão.
Às vezes é tão fácil encher o coração. É só preciso deixá-lo aberto, para que quem quiser lá possa entrar.

domingo, 7 de julho de 2013

Apaixonar

Gosto de pessoas. Gosto de gostar de pessoas. De as conhecer, de as descobrir, de aprender a gostar delas. De me apaixonar por elas.
E quantas vezes é onde menos esperamos que está um sorriso que nos tocará o coração, o pequeno gesto insignificante mas que muito diz.
Aquela flor foi um momento que valeu por muitos. Foi um aconchego bom quando tudo parecia vir a ser mau. A mais pequena coisa foi grande.
Gosto de descobrir pessoas, de querer saber mais e mais, de lhes dar ainda muito mais. Gosto de me apaixonar pelas pessoas, pelo que são e pelo que me são particularmente. Pelo que me vão sendo.
As intenções aparecem vindas de muitos lados, mas os gestos, as atitudes... É com estes últimos que te apaixonas. E eu apaixono-me, rendo-me e desfruto. Vivo, sobretudo.
E viver assim, sem medo de viver e de paixão, sabe muito bem. Sabe tudo.