sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vocês.

Sorriu. Sentiu as lágrimas que se avolumavam naquela caixinha entreaberta, mesmo ali, atrás dos olhos. Mirou o infinito e então falou:

São pessoas altruístas. O outro está sempre em primeiro lugar e fazer mais pelos outros é algo que não conseguem controlar. Esquecem-se muitas vezes deles mesmos. Não se importam com o cansaço, nem com coisas negativas que possam vir a sentir, enquanto o outro precisa deles. E o outro precisa sempre deles, porque há vários outros... e a todos respondem com prontidão, vontade e empenho tal que não é possível não os invejar.
Têm uma verdade absoluta lá contida, que transparece em cada partícula da atmosfera que os rodeia. Tudo lhes provém do coração. Confiam e entregam-se à pura arte do dar sem querer receber. São genuínos, como não há outros. 
Já viram o melhor e o pior de mim. Viram o pior de mim e mesmo assim permanecem. Não vão embora.

Sorriu de novo e respirou fundo, para que aquela gota que se esgueirou para o canto do olho não caísse. Foi assertiva consigo mesma, cimentando o seu pensamento: "Viram o pior de mim e mesmo assim permanecem". Isso tinha de lhe querer dizer alguma coisa. Tinha de ser a força para afastar as espirais descontroladas em que, muitas vezes, se colocava sem motivo. Não havia motivo, não podia haver motivo, não com estas pessoas. Continuou:

O caminho foi construído com uma transparência sem propósito. O caminho foi e continua a ser traçado de forma genuína, com o momento. 
É a verdade dos sentires, do conhecimento, dos saberes que partilhamos que está sempre inerente ao percurso que, a cada minuto, fazemos juntos.  Tem de ser assim, inconscientemente. Não porque o queremos, mas porque só assim o sabemos ser. 
Com verdade, com transparência, com amor. Com a permissão de sentir o que quer que seja, sem julgamentos.
São pessoas altruístas, sim. Verdadeiras, genuínas! Que ficam, todos os dias, onde quer que estejam.

Quando se calou, o seu pensamento divagou por segundos. Mais uma vez soube que lhes seria eternamente grata e que, por mais que tentasse, nunca saberia explicá-lo a ninguém. Afinal de contas, a pergunta tinha sido apenas:
Porque é que essas pessoas são tão especiais para ti?
E uma vez mais ficou muito longe de uma explicação que sabe que nunca conseguirá dar. As palavras não lhes fazem jus.

Os sons do coração são a mais bela melodia de amor que lhes poderei atribuir.

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